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Democracia e representatividade: por que a anistia aos partidos políticos é um retrocesso

Tramita a passos largos na Câmara dos Deputados, e só não foi provado hoje (2/maio) porque teve pedido de vistas, a PEC que prevê anistia aos partidos políticos por propaganda abusiva e irregularidades na distribuição do fundo eleitoral para mulheres e negros. E na ânsia pelo perdão do não cumprimento da lei, abraçam-se direita e esquerda, conservadores e progressistas. No Brasil, ainda que mulheres sejam mais que 52% da população, a sub-representação feminina na política institucional é a regra. São apenas 77 deputadas entre os 513 parlamentares (cerca de 15%). E no Senado, as mulheres ocupam apenas 13 das 81 cadeiras, correspondendo a 16% de representação. Levantamentos realizados pela Gênero e Número dão conta que apenas 12,6% das cadeiras nos executivos estaduais são ocupadas por mulheres. E nas assembleias legislativas e distrital esse percentual é de 16,4%. Quando avançamos para o recorte de raça, embora tenhamos percentual de eleitos um pouco mais elevado no nível federal, a ime...

Reforma?

Daqui 11 dias celebraremos 505 anos da reforma protestante.  Naquele 31 de outubro de 1517 dava-se início ao movimento reformista, que dentre seus legados está a separação de Estado e Igreja. É legado da reforma também o ensino sobre o sacerdócio de todos os santos, na busca por resgatar alguns princípios basilares da fé cristã, que se tinham perdido na promíscua relação do poder religioso com o poder político. E, co mo basicamente todo movimento humano de ruptura, a reforma tem muitas motivações e violência de natureza variada. No fim, sim, a reforma tem sido muito positiva social, política, economicamente e nos conferiu uma necessária liberdade de culto.  Mas, nós cristãos protestantes/evangélicos, teremos o que celebrar dia 31?  Restará em nossas memórias algum registro dos legados da reforma? Quando a igreja coloca de lado seu papel de comunidade de fé, que acolhe e cura pessoas e passa a disputar o poder temporal, misturar-se à autoridade institucional da política, e...

Pacto não é adesão sem condicionante

A política, muito genericamente falando, é o espaço da consertação - quando problemas, questões, divergências e a pluralidade de visões de mundos e caminhos são postos à mesa para que coletivamente busquemos, com diálogo e pactos, soluções comuns para os problemas e demandas da sociedade, junto aos arranjos técnicos e socias que a compõem. Significa, portanto, que para pensar e fazer política não se pode prescindir de condicionantes. As condicionantes são a um tempo, lugar de partida e também norte a uma chegada. Ou seja, estando à mesa uma demanda social para qual precisemos de solução, o ciclo que se segue é buscar os agentes sociais e políticos que tenham conexão de ação ou contraposição àquela demanda para que pensem, estruturem e construuam a solucionática ao que ali está. Essa conjunção de esforços pode exigir, por exemplo, que forças políticas divergentes se unam. E elas o farão com uma finalidade e um arranjo construído em cima de compromissos mútuos, de responsabilidades que d...

O tempero da vida são os afetos

Gosto de cozinhar. Não sou lá uma especialista. Estou longe de fazer as mesas que a minha irmã mais velha faz. Mas gosto de cozinhar. De ficar horas procurando algo na internet uma receita nova para daí fazer (quase sempre) do meu jeito e servir às pessoas que amo. Fazendo uma comidinha para quem amo e quando me dou algo especial é como se fosse um momento de conexão especial. Na verdade é isso. Fazia um bom tempo que eu não me permitia cozinhar com afeto. Talvez a última vez tenha sido o que levei pro reveillon na viinhança. Embora numa correria terrível, caprichei todo o possível. E 2022 chegou como uma tromba d'água assustadora e violenta, levando tudo pela frente, sem respeitar justificativas ou o que mais fosse. E lá se vão quase 45 dias passados e hoje me dei conta que ainda não havia me colocado a fazer do ato cozinhar uma experiência, como gosto.  E olha, não falo de pratos chiques não. Nem sei fazê-los. Como disse, nem sei colocar uma mesa direito. Falo de cuidar dos alime...

Os olhos são as janelas do corpo (ou da alma)

Diz a sabedoria: "Os olhos são as janelas do corpo. Se vocês abrirem bem os olhos, com admiração e fé, seu corpo se encherá de luz. Se viverem com olhos cheios de cobiça e desconfiança, seu corpo será um celeiro cheio de grãos mofados. Se fecharem as cortinas dessas janelas, sua vida será uma escuridão." Eu adaptaria para os olhos são as janelas da alma. Por mais óbvio seja, parece que recorrentemente é necessário dizer o quanto nós julgamos as pessoas por aquilo que somos capazes de fazer. E quase sempre isso dista, anos luz, do que elas realmente estão fazendo ou considerando fazer. Então, em um processo de rupturas, por exemplo, se nós somos do tipo agressivo e violento que atua para enxotar as pessoas dos espaços e fazer os mais ardilosos arranjos de modo nos garantirmos em estruturas de micro-poder, é assim que lemos as outras pessoas e começamos a desenvolver pensamentos e medidas conspiratórias em lugares que somente nós encontramos os males imaginados. E e...

Narrativas. Vida. Caos. Desesperança.

  Quando eu era pastora repetia com muita frequência, aos membros da igreja, sobre a necessidade de submeterem o que ouviam de mim ao crivo do Evangelho, aprendi isso com o bispo Douglas e com o Paulo, o apóstolo rabugento (e por vezes preconceituoso), mas também zeloso com a missão cristã assumida. Outra coisa que eu repetia era que as pessoas só conseguiriam se desenvolver se exercitassem a capacidade de pensar. Nunca acreditei num Deus que aprecia obediência cega, seres incapazes de fazer perguntas. E cada vez mais falo a Deus que se ele não conseguir se relacionar com as minhas dúvidas, meus questionamentos, as tensões do meus dilemas e mesmo cada um dos incontáveis momentos em que duvido até dele, então ele não é Deus. Será apenas um pequeno fantasma das minhas invencionices mentais, portanto, irreal. E por que isso aqui da gaveta das minhas convicções e incertezas? Assim? A nossa História é basicamente um amontoado de narrativas. Ora elas nos embalam na noite escura e fria. O...

Sobre liberança política e partidária

Formar e revelar quadros políticos para apresentarem ideias, propostas e caminhos, alternativas e soluções aos principais dilemas da sociedade, deveria ser dos principais papéis dos partidos. Já não é. Faz tempo. Especialmente nos partidos progressistas. Há algo muito errado nisso, sério e precisa ser problematizado. As direções partidárias deveriam se questionar sobre o que há quando precisam, necessariamente, recorrer aos seus anciãos para disputas eleitorais ou não elegem. Precisam fazer profundo diagnóstico das razões de suas instâncias estarem sempre ocupadas pelos mesmos rostos e as mesmas assinaturas definindo o que pensar e fazer dos partidos partidos. Precisam pensar porque se ofendem dirigentes cobrados a que anciãos deem espaço aos jovens e assumam com honra o lugar de anciãos. Não é demérito. Muito ao contrário. E não é desvalor aos velhos que jovens requeiram espaço para errar, inclusive. É também assim que se aprende. E sobre erros, aliás, é preciso que jovens tenham os s...

Responsabilidade Política com o DF

Quando a gente se apresenta para fazer política, independente do lugar ou função ocupada, é preciso manter firme compromisso com o espírtio de serviço. O passo seguinte e consequente é o exercício do diálogo, a busca por convergência, o fazer coletivo e a colaboração. Nenhum partido ou liderança política é capaz de promover sozinha as mudanças que a nossa sociedade precisa. Em canto algum. Pensar-se a atuar à parte, isolado, às escondidas é sinal de fraqueza e prepotência. É, também, caminho à tirania que se arroga plena de poderes para ditar regras, desfazer construções e decidir destinos com o poder personlístico desenhado às sombras dos pequenos grupos. Não sou AS da política, muito ao contrário. Mas tenho aprendido a cada dia que ou atuamos e construímos com máxima transparência e disposição real à partilha de autoria e busca por convergências, ou seguiremos dragados pela violência política, o autoritarismo, a distorção dos valores da política a serviço do comum. O Diat...

A gradiosidade da política está em distribuir poder

A grandiosidade da política está em distribuir poder Política grandiosa em capacidade transformadora só se faz a partir de alguns princípios elementares: Escuta ativa;  Diálogo efetivo; Transparência radical; Participação ampla; Experimentação. Isso distribui poder. Isso faz a política potente e grandiosa.  Fora disso a política é medíocre. Toda vez que um grupo ou organização partidária se furta ao exercício profundo desses princípios acaba por se fechar, mergulhando em uma lógica reducionista de centralização e na mediocridade das disputas de pequenos poderes. A ação política, então, fica estreita e frágil. As pessoas e grupos que a fazem podem até gritar, mas nada dirão. A potência da palavra não se traduzirá em construção. O que resta é política da espécie ensimesmada, distante das pessoas, da diversidade, pluralidade e da potência das múltiplas vozes que podem sim, ser uníssonas sem perder a potência vocal individual. Todos os dias, em todos os espaços de que ...

Um abraço verde

Daqui vejo o mundo como um abraço verde e essa sombra é aconchego e proteção. Daqui vejo o balanço de galhos, folhas dançando ao sopro do vento e vagar de pássaros, macaquinhos. Distração, curiosidade. Alívio à alma. Daqui observo as chuvas, o correr de suas águas, seus caminhos, escadas lavadas, terreno outro dia seco agora verdinho vibrante. Vida. Daqui vejo o sol pelas frestas das árvores quando dão um passe especial a um ou outro lado no baile do vento. Deslumbre. Daqui choro quando triste, quando alegre, quando cansada. E rio. De mim, dos outros, da vida e todos os seus devaneios. Instantes. Daqui sonho, faço planos, rascunho cada um deles, escrevo e descrevo meu mundo desejado e aquele do qual me livro. Reconstrução. Daqui observo longe olhando a jornada das formigas e me impactando com a forma da existência delas. Aprendizado. Daqui recebo cura. Ah, quanta cura daqui vivi. Abraços nos dias doloridos - quando houve perda, quando a alma esteve doída, ansiosa, teimosa em errar, em ...

Democratizar a democracia, um desafio urgente!

Hoje é o Dia Internacional da Democracia. A data foi instituída pela ONU com o objetivo de dar mais visibilidade às necessidades de processos de desenvolvimento baseados no  respeito aos direitos humanos e nas liberdades fundamentais, promovendo democratização dos espaços dos poderes públicos e nas relações da sociedade.  Ao definir a data comemorativa a ONU reafirmou que a “ democracia é um valor universal  baseado na vontade, expressa livremente pelo povo, de determinar o seu próprio sistema político, econômico, social e cultural, bem como na sua plena participação em todos os aspectos da vida.”  Segundo o  Índice da Democracia – que se propõe a avaliar o estado da democracia em 167 países a partir de cinco categorias gerais, a saber: Processo eleitoral e pluralismo Liberdades civis Funcionamento do governo Participação política Cultura política  Ao invés do avanço consistente da democracia, nos últimos anos temos visto por todo o mundo uma crescente de m...

A aridez dos dias pode trazer lições capazes de mudar o curso dos nossos dias

Quem vive, conhece ou já esteve no Distrito Federal por essa época do ano sabe o peso de cada dia (e noite). Severidade talvez seja a palavra mais adequada. Sob o sol extenuante e a seca terrível, o ar parece cada vez mais rarefeito. Olhos ardem, lábios racham, alguns narizes sangram com frequência. E somos sempre premiadas com o mistério da vida que salta na aridez desse tempo. Não consigo passar sem perceber alguns desses detalhes que, para mim, são ensinamentos muito claramente sendo postos ante os nossos olhos. Há vida que não sucumbe ao desfavor. Há vida que rasga a terra e floresce justamente daquela terra mais seca e no tempo mais adverso. Há vida que não se contém sob solo rochoso quando seu tempo chega. "Alma cansada, não desespera, espera". Mas, é preciso, talvez, discernir as esperas. Aquela de aquietar, aguardar os tempos em silêncio, simplesmente sob a expectação de que o compasso da História, das histórias se cumpram.  Ou aquela de manter-se em equil...

Deus está morto

Esse deus celebrado acima de todos é mentira. Ele não existe. E se ele existe, então ele é mentiroso e não deve ser celebrado ou cultuado. Afinal, foi ele quem disse: O MEU REINO ESTÁ DENTRO DE VOCÊS. A MINHA DINVINDADE SE DÁ NO ENCONTRO DE VOCÊS.  Esse deus grandioso, posto em trono e autoridade suprema que esmaga e faz morrer quem não se submete a ele; que aciona os nossos monstros interiores e explode em ódio, devastação e promoção à morte é UMA MENTIRA. Ou seja, esse DEUS NÃO EXISTE e a palavra a ele atribuída é vazia.  Um deus que não gera consciência e conexão profunda entre os viventes e interdependência e, portanto, necessidade básica de cuidado (auto e mútuo cuidado), traduzindo-se em chorar com os que choram, alegrar-se com os que se alegram, partilhar como premissa existencial e profundo compromisso por se desenvolver naquilo contra o que não há lei - amor, compaixão, fraternidade e seus frutos - então, deus não está em você porque ele não existe. Simple...

Mulheres na Politica e o Código Eleitoral

Nas próximas semanas virá à baila o código eleitoral 2022 e, claro, deveria ser surpresa mas não é. Mil desenhos mirabolantes para supressão de ações de fomento à participação de mulheres no processo eleitoral, a pretexto de que são - nos lábios de muitos - facilitadores de alianças. A questão de fundo é que o Brasil tem a péssima mania de não aprender com os bons exemplos. E em um país de cultura machista, sexista e violenta como o nosso, mulher na política não é (e não pode ser) discurso e palavra de ordem. É, e necessariamente será, fruto e resultado de promoção à ascensão feminina nos espaços de decisões partidárias. Para tanto é preciso promover, com o máximo de antecedência possível: preparo. Em paralelo é preciso criar espaços de visibilidade às lideranças femininas. E o investimento financeiro sério, contínuo e consistente não pode ser arranjo. Mas compromisso de primeira ordem. E aí, quando vier a disputa eleitoral, é preciso colocar recursos nas campanhas feminina...

Partidos e a prática de transparência

Compromisso radical com a transparência deveria ser pacto básico de existência de todos os partidos. Não é. E isso é lastimável. Os partidos tem papel fundamental na organização do sistema político, na construção e defesa das nossas bases democráticas.  Para além, portanto, do óbvio já aí posto, há recursos públicos financiando os partidos direta e indiretamente. Ou seja, TODOS os mesmos princípios postos a todas as outras ações feitas com recursos públicos PRECISAM ser aplicadas aos partidos. E quando os partidos não possuem cultura ativa de transparência é preciso que nós, sociedade, coloquemos lupa sobre o processo de gestão de cada centavo repassado aos partidos. A pensar: Se um partido é incapaz de ser transparente com o recurso que recebe para seu funcionamento, será mesmo capaz de praticar e defender transparência uma vez estando nos espaços de poder, nas instituições públicas? Se um partido não aplica os princípios da Legalidade, Impessoalidade, Moralidade Admin...

Partidos Políticos: uma outra lógica é possível

A nada saudável lógica de agentes políticos se servindo das estruturas partidárias. Observando noticiário local sobre idas e vindas em alguns partidos vem aquele aperto e tristeza. As escolhas e decisões sobre lugares e construção política, lamentavelmente não se pautam em causa, conexão e alinhamento com o ideal político-partidário, mas tão somente considerando algumas premissas: 1) Quanto um outro partido abre na sua estrutura diretiva para que pessoa a ou b seja a dona da estrutura. Assim mesmo, dona. Literalmente. 2) Cálculo eleitoral pragmático de vantagem direta e objetiva a pessoa a ou b. 3) Garantia financeira exclusiva ou quase a pessoa a ou b. Vejam, depois de 8 anos de vivência e construção partidária já perdi ALGUMAS inocências e aprendi algumas coisas. Então, o cálculo eleitoral precisa sim fazer parte da decisão.  Por exemplo, em tese, você não é um grande nome da política, não nada em dinheiro, não é grande representante de classe ou apadrinhado de alguém...

Acreditar é um ato

Em 2011 vi um filme chamado 'O impostor'. Eu passava por uma crise e me vi, em muitos momentos, na pele do protagonista. Ele num caminho de drogas. Eu num caminho de concepções religiosas vazias. Outras drogas. O ápice esteve (para mim) em uma frase: ACREDITAR É UM ATO. Aquilo me marcou e orientou buscar o sentido perdido do que eu era e fazia. A frase ainda me orienta. Todos os dias, intencionalmente eu a busco para me lembrar das práticas que devo cultivar. Se acredito no que digo acreditar, isso me disciplina a não perder de vista o desafio da coerência entre fala e fazer. Isso me convida a não esquecer que acreditar também é (ou sobretudo é) esperançar. Assim, mesmo quando muito indignada com as dezenas de sandices da política, por exemplo, faço especial esforço para me manter com esperança, para comunicar esperança, para praticar esperança. Eu não acredito nas palavras como mantras reducionistas que trazem o além à existência do nada. Mas credito às palavras poderes proces...

Quando os gritos silenciam o diálogo, o que sobra?

Diz o livro sagrado dos cristãos, que todos os dias o Eterno tinha um encontro marcado com a sua criação na viração do dia. E assim, sob o largo emblema do pôr-do-sol, dialogavam. Talvez tenha surgido aí a designação da hora feliz ou o saudável apreço que temos pelo lugar mais sagrado de uma casa: a cozinha, quando à mesa os corações se encontram e um ao outro se entregam às palavras que os conectam. À mesa desfrutamos dos sabores da partilha de refeições temperadas com amor, das bebidas que passam pelo refinamento alquímico do olho no olho honesto que não constrange. Mas à mesa também pode surgir o medo transgredindo a sacralidade da transparência relacional para convencê-la a tomar para si, por vestimenta honrosa, o adorno da culpa.  Foi assim naquela viração do dia, quando as criaturas encerraram o diálogo, se viram nuas e se vestiram de acusação. Aos gritos. Quando leio o relato bíblico, logo ali no terceiro capítulo do Gênesis, sou levada a pensar que o Eterno queria começar u...

Dores anestesiam ou despertam

Dores profundas anestesiam da outra realidade que não aquela, da dor sentida no instante eterno de dores. Ou desperta uma força inimaginável para superação até mesmo dos doze desafios de Hércules, transformando sentidos, criando outra dinâmica existencial até então não experienciada. Quantas dores residem o Brasil nesta terça-feira de não carnaval jamais imaginada? As milhões de dores inquietas nos olhares das famílias e amigos das já quase 250 mil vidas ceifadas pela Covid. As milhões de dores em rasgos profundos nas almas das mais de 14,1 milhões de pessoas desempregadas, somados ao 5,8 milhões de desalentados. E na esteira dos 32,7 milhões dos descobertos que vagam na informalidade. As milhões de dores perfurantes de estômagos dos mais de 10 milhões de famintos que e esgueiram na selvagem existência de serem despossuídos. Como canta Paulo Nazareth, parece mesmo que a vida, ou o que dela sobra, "anda pela sarjeta, jogada pelo chão." O orçamento público da saúde e da educaçã...