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18 abril, 2018

Sobre o poder a compaixão

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Todos nós, em algum nível, temos poder. Alguns de nós nos desenvolvemos nele e o tornamos alavanca para muitas coisas, de forma decente até. Outra parte de nós se embevece no poder, aqueles pequeninos do cotidiano e mergulha num processo amedrontador de monstrificação.

O poder atordoa com muita facilidade.

Todos os poderes.



Já estive mergulhada no poder eclesiástico e vi de perto, por dentro, como ele pode ser destruidor. Já fui vítima e vitimei através dele.

Infelizmente, e com muita dor digo isso, grande parte dos abusos de poder que hoje consigo identificar, me remetem àquela época. Conchavos promovidos por quem está em posição de autoridade, relatos parciais de situações coletivas com o fim de manipular construções, decisões, ações. Entrega de dados apenas na parte que interessa a quem tem maior fatia de poder. Fora as chantagens, emocionais e financeiras.

Todos nós temos ou podemos ter pequenas fatias de poder. O que temos feito com elas e o que temos deixado que elas façam conosco ou, no que elas nos transformam são questões que precisamos visitar com frequência.

Temos usado o poder na medida e orientado pela compaixão ou a nossa paixão se embriagou dos pequenos poderes e dos lençóis e laços dele se fez refém?

O pequeno poder de existir, da autonomia, do dom da palavra, da percepção e crítica mais livre que a média tem nos conduzido a uma profunda consciência de responsabilidade para além de nós ou nos envaidecido para formar hordas que nos obedeçam cegamente, nos bajulem e se dobrem com o menor grau de questionamento e resistência possível à nossa autoridade e poder?

É muito sério ter poder. Qualquer poder. Precisamos encarar isso com muita responsabilidade ou a hipocrisia de uma existência bêbada em si mesma nos destruirá.

Se você se interessa por refletir um pouco mais acerca do tema, recomendo a leitura do artigo sobre liderança da Revista Harvard Business Review, com o tema 'O poder é capaz de corromper líderes; a compaixão de salvá-los' ou, recomendo a leitura de qualquer dos textos da crucificação do Cristo, que nos dá a lição mais que perfeita sobre autoridade e poder, escolhendo permanecer na cruz.

11 abril, 2018

O balaio dos proibidos

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A convivência minimamente respeitosa, ainda que o ideal fosse harmoniosa, na diversidade e espaço de oposição de ideias, tem se tornado exercício para poucos, dada a nossa sina e preferência autoritária que nos faz incapazes de ver, ouvir e falar para além de nós mesmos e, nos coloca no estranho dos mais estranhos movimentos: de reduzirmos o "mundo, vasto mundo" ao quintal dos nossos pensamentos, construído em palafitas sobre os nossos esgotos emocionais.

São muitos os balaios que criamos em decorrência disso, destaco um: O BALAIO DOS PROIBIDOS.

Numa embalagem, que enfeitamos com a nossa melhor retórica, colocamos não só os que pensam diferente de nós, vamos mais fundo, escolhemos os atrevidos que ousam dizê-lo, pois, ora, que afronta!  Não bastasse o outro, humano livre e diferente de mim, por natureza, divergir do que eu me torno e expresso, como ele (o outro) ainda pode querer dizer que pensa e escolhe ir noutra direção de agir e expressar o seu pensamento e modo de construir relações e conexões de mundos?

Que tolos nos temos feito, pois, rica, profunda e poderosa é a experiência humana construída sobre o respeito à divergência e à valorização da diversidade - de pensar, agir, fazer, como pedras que se chocam e moldam novas formas arrancando suspiros, de dor muitas vezes, mas também no mais significativo louvor à criação nova, desafiando olhares, corpos, mentes e a ciência humana.

Que tédio a homogeneidade do silenciamento, do autoritarismo, da régua medíocre do pensamento ensimesmado!

Posto na embalagem, ao balaio dos proibidos, resta fotocopiá-lo para uma maciça distribuição, às escuras (ou nem tanto assim), no embalo do mantra "não nos serve", "não nos honra", "não nos soma".

Pergunto:
  • Que soma há na obediência não refletida, da não escolha por consciência, mas ação de conveniência?
  • Que honra há no personalismo que desmonta o poder da diversidade, a base mais sólida e profunda de qualquer coletividade que se pense para além de si mesma?
  • Que serviço subsiste na anulação do outro, senão escravidão?
A saúde dos nossos ambientes não existirá se não formos capazes de nos desafiar a encarar tais embalagens, nas quais coloraram (ou colocamos) o balaio dos proibidos, abrindo-as a fim de podermos olhar, sentir e ouvir as razões dos proibidos, considerando isso como diagnóstico necessário, ou o câncer maldito da homogeneidade por decreto engolirá, de vez, a unicidade por propósitos, valores e ideais,  e nos faremos apenas trapos, lixo absolutamente desprezado, desprezível.

Que tal olharmos o que temos nas mãos, agora?

Será que não estamos nos fazendo portadores da malévola distribuição do balaio dos proibidos, em inocente ação e motivo que desconhecemos porque temos medo de simplesmente dizer, não?

No mundo dos iguais insistirei na luta ao direito dos diferentes, dos divergentes, dos diversos, esses todos que se dispõem ao exercício de unidade por propósitos, valores e ideais do bem comum e desafiam os decretos à obediência tácita.

A diversidade me engradece e a quero no meu mundo! 

14 fevereiro, 2018

Internamente melhor para externamente melhor

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O sistema político é autoritário, antidemocrático, segregador, ensimesmado, machista, violento e não afeito à renovação.

Qual o principal local, oficina ou laboratório de todas essas práticas?

A construção interna dos partidos políticos. É lá que esses caminhos se desenham, são treinados e se consolidam para se repetirem ano após após ano nas casas legislativas, e também no exercício do poder executivo.

Quer saber se determinada pessoa é democrata, praticamente da velha ou nova política, se está a serviço ou se servindo da política?

Olhe para o modo como ela se porta e faz a construção interna do seu partido.

Ela valoriza os processos horizontais, coletivos, colaborativos e compartilhados, ou é aderente aqueles feitos às escondidas, com velado desprezo ao coletivo, como ente capaz de melhor criar, ainda que "dê mais trabalho" que as decisões e caminhos dos iluminados?

Ela valoriza a emancipação das pessoas ao seu redor, dando -lhes plena liberdade de opinião para que se desenvolvam na capacidade crítica, analítica, errando e aprendendo, exercitando a responsabilidade com as próprias decisões ou é daquelas cuja "gradisiodade" é medida por hordas incapazes de dar um passo sem a bênção da grande liderança pedir, infantilizando, portanto, a cidadania?

Ela valoriza a conquista nos espaços coletivos pela história coletiva construída ou é daquelas cuja tática é a disputa, violenta, para ocupar todos os espaços para colocar qualquer um nos espaços de poder, de modo a possuir mais uma chave de comando e controle?

Poderia elencar ainda incontáveis pontos e contrapontos do que EU CONSIDERO atos desqualificados desses tantos que, com seus sorrisos marotos e discussos repetidos, ainda que travestidos de novas frases, infestam a construção interna dos partidos e outras tantas organizações e instituições coletivas, tornando-os apenas uma fábrica fétida  e insuportável da reprodução do grande sistema político, que expulsa o cidadão das esferas institucionais de ação política.

Não é um discurso, mas a prática a partir de pequenas ações cotidianas, que define as novas construções. Se não são reciclados, porém, os valores e princípios que orientam tais ações, o que teremos será apenas maquiagem, mal feita ainda por cima, com etiqueta de nova ação.

Resultado?

Reprodução de um sistema injusto, predador e, portanto, inoperante para o serviço de resgate da política.

Não é isso que queremos, a repetição infinda da velha hierarquização e segregação das decisões coletivas, confiadas e sem consulta, a poucos que se fazem donos da verdade?

Então, estejamos prontos para, até o limite das nossas utopias, lutar para que o ambiente interno das construções políticas de que participamos seja DEMOCRÁTICO, TRANSPARENTE, COLETIVO, COLABORATIVO, HORIZONTAL, IGUALITÁRIO, DESCENTRALIZADO, EMANCIPADOR, FRATERNO.

E se a luta se tornar absolutamente predadora da utopia por justiça e igualdade para todos, busquemos energia para preservar a utopia viva e romper  com o veneno das fábricas das velhas práticas porque tudo isso é muito complexo e pesado e a "política é importante demais para ficar nas mãos apenas dos políticos".

05 fevereiro, 2018

Orla Livre, econômica próspera e ambientalmente sustentável

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O Caderno Cidades do Correio Braziliense deste domingo (02), trouxe duas páginas sobre os negócios possíveis, ou melhor, as algumas possibilidades econômicas numa das áreas mais incríveis do Distrito Federal, o Lago Paranoá.

Durante décadas, sinônimo, para mim, dos muros segregacionistas do DF, personificados no "tão perto e tão longe", "para ver, não usufruir", "saber que existe para saber que nunca será seu" e, "aos poderosos, tudo", a partir de 2015, um pesado processo de sua democratização finalmente foi levado a termo, são sem muitas tensões e enfrentamentos judiciários movidos por pessoas que tomaram por patrimônio privado o que a todos pertence.
Ainda que o seu processo de plena estruturação leve um tempo, a desobstrução da orla do lago Paranoá, por si só e se fosse apenas isso, já seria digna de celebração e cobraria muito controle social da população do Distrito Federal. Toda ela.
É preciso que o conjunto da população do DF acompanhe todas os passos que seguem à desobstrução para que a infraestrutura a ser implantada contemple uma perspectiva democrática de desenvolvimento, com oportunidades efetivas, PRIORITARIAMENTE, para micro e pequenos negócios. Além disso, FUNDAMENTALMENTE, a antes de qualquer coisa, a sustentabilidade ambiental precisa ser PREMISSA do que está posto e do que virá.
O Lago Paranoá e sua orla, agora desobstruída, tem todos os requisitos desejados para a construção de um novo simbolo na capital federal: a democratização do público em todos os seus ativos por uma cultura de desenvolvimento que além da geração de emprego e renda, se faça pelo absoluto respeito ao meio ambiente em todo o seu significado. Temos assim, oportunidade sem igual de dar um preciso passo de avanço civilizatório e sair da relação predatória com os ativos ambientais a que acessamos para colocá-los como espinha dorsal no processo de escolhas para construção da viabilidade econômica de negócios e transformações sociais.
Por falar de ativos ambientais, é preciso que tomemos consciência de toda a riqueza ambiental que há no nosso território e que urgentemente aprendamos sobre o uso sustentável dessa riqueza.
Há uma ignorância estratégica ou já estamos mesmo é alcançando o limiar da burrice deliberada, que não contempla gerar emprego e renda no DF (e a bem da verdade, em nenhum lugar do Brasil) a partir dos seus incríveis ativos ambientais que abraçam o DF e ainda se mantém vivos nas suas zonas urbanas.
É preciso que os governos tragam a riqueza ambiental para a centralidade das suas tomadas de decisões; que os órgãos ambientais busquem um processo de gestão dessas áreas englobando inserção objetiva das comunidades de entorno e de educação ambiental inovadora como pilar importante, capaz de tornar esses espaços de riquezas ambientais, propriedade de responsabilidade ativa do povo, alcançando-o e fazendo-o parte e não um processo de expurgo com ele porque não entende e destrói os ativos ambientais do DF; que os empreendedores assumam a co-responsabilidade efetiva pelas áreas ambientais do nosso território ou elas ficarão entregues aos mais sorrateiros processos de degradação e todas as suas infâmias econômicas, de saúde pública (que retornam em mais prejuízos econômicos indiretos), educacional e ambiental (objetivamente), nos confinando à mediocridade de achar que a existência é feita de compartimentos e não um sistema, dinâmico e profundamente integrado.
Invistamos, senhoras e senhores, numa nova economia para o Distrito Federal e ela está bem clara diante de nós para até cegos verem: turismo (em diversas frentes), tecnologia e mercado digital, a cena cultural (igual diversa). 
Desenvolvamos uma nova consciência, que parta dos princípios da biodiversidade, suas demandas e riquezas e a nova e ampla visão que nos pode dar.

01 fevereiro, 2018

Câmara Mais Barata

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O Distrito Federal, lugar em que mais se fala e respira política neste país; que detém do título extraoficial (eu acho) de habitantes mais politizados (?) do Brasil somente agora tem sua primeira iniciativa popular de lei. Não é nem tão absurdo assim. Absurdo mesmo é em 30 anos de previsão constitucional termos até agora, somente 4 projetos dessa natureza aprovados, a última em 2010, Lei Complementar nº 135/2010, conhecida como a Lei da Ficha Limpa - essa que estão doidos para mandar pelo ralo.

Pois bem, o Observatório Social de Brasília, depois de estudos e trabalho de pesquisa com o Instituto de Fiscalização e Controle, lançou no último dia 16 de janeiro, uma campanha denominada 'Câmara Mais Barata', cujo objetivo é coletar 30 mil assinatura de cidadãos do Distrito Federal para dar entrada na Câmara Legislativa do Distrito Federal, popularmente conhecida e não sem razão, como a casa dos horrores, a um projeto de lei por iniciativa popular que visa, em síntese e como o nome diz, melhorar o custo-benefício das atividades da CLDF. Uma das frentes propostas no texto da iniciativa ataca os gastos com as verbas indenizatórias - aquelas que podem ser usadas para custeio de aluguel e manutenção de escritórios políticos, combustível, divulgação da atividade parlamentar, contratação de consultorias e por ai vai; as outras duas propostas são redução da verba de gabinete a 75% da verba correspondente da Câmara dos Deputados; e redução do gasto com publicidade a no máximo 1% do orçamento da CLDF.

Aí, hoje a CLDF lança resolução que se propõe a eliminar a verba indenizatória.

Pô, Maria e tu acha isso ruim?

Tirando o fato de que a CLDF já deveria ter agido assim há tempos, não. Mas vejamos, estamos tentando falar de simbologia num ambiente de absoluta ausência de credibilidade e em que a representatividade é posta em xeque, como nunca.

Daí que, ao invés dos caras fortalecerem a relação com a população com ações de reforço a isso - sim é possível, simpático, descente, eles preferem dar uma de espertos, pioneiros, fazer propaganda moralista e, uau, estamos fazendo e acontecendo no novo processo democrático e blah, bleh, bluh.

Amigos, 
a questão é fortalecer a atuação cidadã, é fomentar a aproximação do cidadão e dar a ele familiaridade com os trâmites da construção legislativa para que ele esteja empoderado e cada vez mais ativo.

Vocês sabiam que isso é para além de uma corrida de quem chega primeiro?

Queridinhos, isso é um processo pedagógico que inspira o cidadão a ocupar o lugar de onde nunca deveria ter saído: A ARENA POLÍTICA.

O triste e o que eu realmente lamento, neste teatro mambembe, é que a Casa Legislativa continua não entendendo os novos tempos - que finalmente chegaram, aleluia, louvado seja - em que o cidadão parece despertar, de tão cansado, para assumir o controle do seu destino, da sua cidadania, no exercício democrático com o mínimo de atravessadores possíveis.

Falta inteligência estratégica, eu acho, ou será velado descompromisso por fomentar a cidadania mesmo?

Que bom que os deputados se sentiram "inspirados" e deram essa passo.

Que pena que eles não se tocaram que a democracia realmente ganha é quando o povo empoderado FAZ, ACONTECE.

Bom que todos saibam, em todas as casas públicas, que também criar leis inoperantes, descabidas, inconstitucionais significa ineficiência e mal uso do recurso público.

É bom que também todos saibamos, que não se trata só de cortar recursos, mas buscar eficiência.

Toca o bonde cidadão! Chegará o dia, eu acredito, que a democracia será real