Pular para o conteúdo principal

// agradecimento // Associação do Parque Ecológico das Sucupiras

Na política há diversos espaços, todos igualmente importantes e necessários para que ela (a política) cumpra seu papel de serviço ao comum, à sociedade.

Aqui, tal qual em todo o país, há gente fazendo política de formiguinha - que para mim é a mais potente. Gente que entende sua responsabilidade cidadã e se deixa possuir por uma causa.
Em 2015 conheci
Fernando De Castro Lopes
e
Madalena Rodrigues
em uma marcha pelo clima, aqui em Brasília. Dali e nos anos seguintes, a partir do meu trabalho e militância, interagi diversas vezes com os dois em decorrência da luta histórica que travam, com outras cidadãs e cidadãos, em defesa do Parque Ecológico das Sucupiras.
Sei que já foram muitas as vezes que eles quiseram jogar a toalha, desistir. Afinal, são mais de 20 anos de batalhas contra o poder financeiro e a especulação imobiliária, predatória e destruidora do patrimônio ambiental, bem comum. E há a inércia do poder público feita cúmplice.
Eles seguem lá, na luta.
Hoje meu dia foi bem cheio. Tantas coisas, mil conversas, mil cenários de dificuldades, de impossibilidades, de jogos e situações que vejo e acerca dos quais nada posso fazer, de coisas que preciso fazer e não sei como ou não ainda tomei a devida coragem de fazer.
Aí, já à noite, fechando a última reunião, recebo esse presente, um lindo calendário da Associação Parque Ecológico das Sucupiras, um fruto coletivo.
Meu coração se encheu de alegria porque a luta deles me inspira.
Mais de duas décadas cuidando de um pedacinho do Cerrado, enfrentando descaso, muita grana, ameaças. Todavia reside neles um compromisso com o valor e o significado daquele último pedacinho do Cerrado no centro de Brasília, a Capital do nosso país. Fazem, junto ao grupo da Associação, as pequenas revoluções do cotidiano (como diz Heloisa Helena).
Do lado de cá estou sim, muito cansada do dia e suas impossibilidades, apreensiva frente às responsabilidades pelas quais respondo, mas, me sentindo provocada por esse exemplo de cidadania de vocês e da associação, a me manter animada e firme.
O lugar político que vocês ocupam é muito importante e necessário. Do lugar político que ocupo, espero poder servi-los, e apoiá-los nas lutas daí.
Obrigada pelo carinho.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Democracia e representatividade: por que a anistia aos partidos políticos é um retrocesso

Tramita a passos largos na Câmara dos Deputados, e só não foi provado hoje (2/maio) porque teve pedido de vistas, a PEC que prevê anistia aos partidos políticos por propaganda abusiva e irregularidades na distribuição do fundo eleitoral para mulheres e negros. E na ânsia pelo perdão do não cumprimento da lei, abraçam-se direita e esquerda, conservadores e progressistas. No Brasil, ainda que mulheres sejam mais que 52% da população, a sub-representação feminina na política institucional é a regra. São apenas 77 deputadas entre os 513 parlamentares (cerca de 15%). E no Senado, as mulheres ocupam apenas 13 das 81 cadeiras, correspondendo a 16% de representação. Levantamentos realizados pela Gênero e Número dão conta que apenas 12,6% das cadeiras nos executivos estaduais são ocupadas por mulheres. E nas assembleias legislativas e distrital esse percentual é de 16,4%. Quando avançamos para o recorte de raça, embora tenhamos percentual de eleitos um pouco mais elevado no nível federal, a ime...

Os olhos são as janelas do corpo (ou da alma)

Diz a sabedoria: "Os olhos são as janelas do corpo. Se vocês abrirem bem os olhos, com admiração e fé, seu corpo se encherá de luz. Se viverem com olhos cheios de cobiça e desconfiança, seu corpo será um celeiro cheio de grãos mofados. Se fecharem as cortinas dessas janelas, sua vida será uma escuridão." Eu adaptaria para os olhos são as janelas da alma. Por mais óbvio seja, parece que recorrentemente é necessário dizer o quanto nós julgamos as pessoas por aquilo que somos capazes de fazer. E quase sempre isso dista, anos luz, do que elas realmente estão fazendo ou considerando fazer. Então, em um processo de rupturas, por exemplo, se nós somos do tipo agressivo e violento que atua para enxotar as pessoas dos espaços e fazer os mais ardilosos arranjos de modo nos garantirmos em estruturas de micro-poder, é assim que lemos as outras pessoas e começamos a desenvolver pensamentos e medidas conspiratórias em lugares que somente nós encontramos os males imaginados. E e...

Reforma?

Daqui 11 dias celebraremos 505 anos da reforma protestante.  Naquele 31 de outubro de 1517 dava-se início ao movimento reformista, que dentre seus legados está a separação de Estado e Igreja. É legado da reforma também o ensino sobre o sacerdócio de todos os santos, na busca por resgatar alguns princípios basilares da fé cristã, que se tinham perdido na promíscua relação do poder religioso com o poder político. E, co mo basicamente todo movimento humano de ruptura, a reforma tem muitas motivações e violência de natureza variada. No fim, sim, a reforma tem sido muito positiva social, política, economicamente e nos conferiu uma necessária liberdade de culto.  Mas, nós cristãos protestantes/evangélicos, teremos o que celebrar dia 31?  Restará em nossas memórias algum registro dos legados da reforma? Quando a igreja coloca de lado seu papel de comunidade de fé, que acolhe e cura pessoas e passa a disputar o poder temporal, misturar-se à autoridade institucional da política, e...