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Si.lêncio


Houve um tempo de silêncio significativo dos motores, dos passos na rua, das vozes que insistem em gritar aleatoriamente sem compromisso de algo dizer.

E aqui dentro éramos convidados a um olhar interior com menos distração, ao exercício de perceber ao redor, à busca de alguns detalhes ou à simples entrega a pequenos momentos de nada.

Enquanto se assevera a nossa crise e aumentam as pilhas dos nossos mortos e o silêncio nos deveria comunicar transformações na lógica de existirmos social e economicamente e nas ações relacionais o que é há rompimento. Não da lógica a que nos acostumamos. Mas do silêncio que deveria estar sendo uma chave mental neste momento.

Lá fora os motores voltaram a uivar assustadoramente. E, como se dia normal fosse, os passos acelerados e as vozes nas ruas dizem que a reflexão deu rapidamente lugar à potência do tangedouro do político chefe do nosso país, que insiste na política da morte como cultura a sacramentar no Brasil.

O silêncio interior começa a dar, cada vez mais, lugar ao medo do que virá daqui a 15 dias, especialmente imaginando os números dessa semana num retrospecto de duas semanas, quando o chefe da nação impulsionava a população ao suicídio ao invés de assumir suas responsabilidades de orientar, de fortalecer as ações dos estados e municípios, de ter plano e ação estratégica a atender com inteligência e celeridade às milhões de pessoas em situação continuada de vulnerabilidade e as que em questão de dias foram postas nessa condição.

E os barulhos, todos que agora se recompõem rapidamente nas ruas, com potência indomável assaltam a lucidez e deixam agitados e reféns os corações, numa inclinação mais rápida à autoridade falsa dos políticos que resistem se colocar a serviço do bem coletivo.

E o povo sofre.
E o povo morre.

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