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Quarentena. Dia 15.

Quarentena. Dia 15.

Algumas pessoas desesperadas com o tédio. Possível.

Tédio?
{fastio 

Dia 12 foi a última vez que pus a cara na rua para coisa outra que não comprar comida.

Depois? Mercado. Lavar roupa na casa do amigo. Isolamento real. Dias sem sol. Dias de muitos agitos. Dias de muitas demandas. Pressão. Tensão.

Alguns dias em que a solidão que gosto, incomodou - porque mais que estar só, em silêncio, havia muitos gritos na minha mente. Problemas. Angústias. Preocupações. E todas as assombrações da política do nosso país.

Os picos de emoção ainda são basicamente conectados às coisas que a gente queria resolver e não pode. NÃO PODE MESMO. E se ver o que sempre foi - um ser pequeno que pode pouco, embora se ache muito, é frustrante.

Não deveria frustrar, já que o tempo todo a gente lida com coisas, próprias ou de outras pessoas, acerca das quais pouco ou nada se pode fazer.

Mas a gente frustra.

O outro pico de emoção é com a mãe teimosa, que não sossega em casa e recebe visitas.

Tédio?

Acordar no horário de sempre (às vezes mais cedo porque a tensão bate cedo) e vai. Vai, freneticamente atrás do teclado, sob a luz exagerada das telas e a sombra da lâmpada fraca, consumindo horas. Muitas. As vezes rindo. As vezes chorando. As vezes querendo quebrar o teclado, a tela. A cara do Presidente.

Oito, nove, dez, onze, doze horas passadas. 
Frias. Chuvosas. 

Gritos na rua. Está mais vazia, mas não completamente.

Janelas eventualmente habitadas. Com ou sem panelas.

Saudades do sol acariciando a minha pele e da sombra do meu corpo dançando na calçada enquanto perambulo a ermo, pelas ruas. Faz um bem!

Saudades do colorido das flores e do abraço do verde (do Verde).

Saudades das pessoas. Das que amo. Das que desconheço. Até das que quero ignorar (ou deveria?).

Saudades dos abraços que acostumei receber todo dia, com os melhores e mais melodiosos votos de bom dia, que eu nem imaginava tão necessários até começar tê-los cotidianamente.

Saudades de olhar no olho. Isso sempre me leva a tanto mundos e acho tão fundamental ao existir.

Mas as saudades aquietam. É preciso que seja assim, porque esse tempo ainda vai demorar. Talvez. Então, a gente coloca todas elas, uma a uma, sentadas do ladinho e segue.

Tédio?
{Fastio

Ainda não o vi por aqui.

Vi muitas, frenéticas mensagens - de toda ordem. Desordem palavresca saltando à tela, gesticulando rápido, gritos, gemidos, delírios, consolos. Gargalhadas. No caos? Também.

E redes de solidariedade e afeto.

O afeto!
{Amizade, amor.

Que alegria tê-lo, aqui, quentinho, por vezes serelepe, noutras tão quieto. Sempre gentil. Mãos suaves, macias - que sabem tocar como ninguém. E tocam.

Que alegria tê-las, vocês - que as tenho aprendido irmãs e a quem dou hoje, de modo muito especial, meu afeto.

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