Pular para o conteúdo principal

Câmara Mais Barata

O Distrito Federal, lugar em que mais se fala e respira política neste país; que detém do título extraoficial (eu acho) de habitantes mais politizados (?) do Brasil somente agora tem sua primeira iniciativa popular de lei. Não é nem tão absurdo assim. Absurdo mesmo é em 30 anos de previsão constitucional termos até agora, somente 4 projetos dessa natureza aprovados, a última em 2010, Lei Complementar nº 135/2010, conhecida como a Lei da Ficha Limpa - essa que estão doidos para mandar pelo ralo.

Pois bem, o Observatório Social de Brasília, depois de estudos e trabalho de pesquisa com o Instituto de Fiscalização e Controle, lançou no último dia 16 de janeiro, uma campanha denominada 'Câmara Mais Barata', cujo objetivo é coletar 30 mil assinatura de cidadãos do Distrito Federal para dar entrada na Câmara Legislativa do Distrito Federal, popularmente conhecida e não sem razão, como a casa dos horrores, a um projeto de lei por iniciativa popular que visa, em síntese e como o nome diz, melhorar o custo-benefício das atividades da CLDF. Uma das frentes propostas no texto da iniciativa ataca os gastos com as verbas indenizatórias - aquelas que podem ser usadas para custeio de aluguel e manutenção de escritórios políticos, combustível, divulgação da atividade parlamentar, contratação de consultorias e por ai vai; as outras duas propostas são redução da verba de gabinete a 75% da verba correspondente da Câmara dos Deputados; e redução do gasto com publicidade a no máximo 1% do orçamento da CLDF.

Aí, hoje a CLDF lança resolução que se propõe a eliminar a verba indenizatória.

Pô, Maria e tu acha isso ruim?

Tirando o fato de que a CLDF já deveria ter agido assim há tempos, não. Mas vejamos, estamos tentando falar de simbologia num ambiente de absoluta ausência de credibilidade e em que a representatividade é posta em xeque, como nunca.

Daí que, ao invés dos caras fortalecerem a relação com a população com ações de reforço a isso - sim é possível, simpático, descente, eles preferem dar uma de espertos, pioneiros, fazer propaganda moralista e, uau, estamos fazendo e acontecendo no novo processo democrático e blah, bleh, bluh.

Amigos, 
a questão é fortalecer a atuação cidadã, é fomentar a aproximação do cidadão e dar a ele familiaridade com os trâmites da construção legislativa para que ele esteja empoderado e cada vez mais ativo.

Vocês sabiam que isso é para além de uma corrida de quem chega primeiro?

Queridinhos, isso é um processo pedagógico que inspira o cidadão a ocupar o lugar de onde nunca deveria ter saído: A ARENA POLÍTICA.

O triste e o que eu realmente lamento, neste teatro mambembe, é que a Casa Legislativa continua não entendendo os novos tempos - que finalmente chegaram, aleluia, louvado seja - em que o cidadão parece despertar, de tão cansado, para assumir o controle do seu destino, da sua cidadania, no exercício democrático com o mínimo de atravessadores possíveis.

Falta inteligência estratégica, eu acho, ou será velado descompromisso por fomentar a cidadania mesmo?

Que bom que os deputados se sentiram "inspirados" e deram essa passo.

Que pena que eles não se tocaram que a democracia realmente ganha é quando o povo empoderado FAZ, ACONTECE.

Bom que todos saibam, em todas as casas públicas, que também criar leis inoperantes, descabidas, inconstitucionais significa ineficiência e mal uso do recurso público.

É bom que também todos saibamos, que não se trata só de cortar recursos, mas buscar eficiência.

Toca o bonde cidadão! Chegará o dia, eu acredito, que a democracia será real

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Democracia e representatividade: por que a anistia aos partidos políticos é um retrocesso

Tramita a passos largos na Câmara dos Deputados, e só não foi provado hoje (2/maio) porque teve pedido de vistas, a PEC que prevê anistia aos partidos políticos por propaganda abusiva e irregularidades na distribuição do fundo eleitoral para mulheres e negros. E na ânsia pelo perdão do não cumprimento da lei, abraçam-se direita e esquerda, conservadores e progressistas. No Brasil, ainda que mulheres sejam mais que 52% da população, a sub-representação feminina na política institucional é a regra. São apenas 77 deputadas entre os 513 parlamentares (cerca de 15%). E no Senado, as mulheres ocupam apenas 13 das 81 cadeiras, correspondendo a 16% de representação. Levantamentos realizados pela Gênero e Número dão conta que apenas 12,6% das cadeiras nos executivos estaduais são ocupadas por mulheres. E nas assembleias legislativas e distrital esse percentual é de 16,4%. Quando avançamos para o recorte de raça, embora tenhamos percentual de eleitos um pouco mais elevado no nível federal, a ime...

Os olhos são as janelas do corpo (ou da alma)

Diz a sabedoria: "Os olhos são as janelas do corpo. Se vocês abrirem bem os olhos, com admiração e fé, seu corpo se encherá de luz. Se viverem com olhos cheios de cobiça e desconfiança, seu corpo será um celeiro cheio de grãos mofados. Se fecharem as cortinas dessas janelas, sua vida será uma escuridão." Eu adaptaria para os olhos são as janelas da alma. Por mais óbvio seja, parece que recorrentemente é necessário dizer o quanto nós julgamos as pessoas por aquilo que somos capazes de fazer. E quase sempre isso dista, anos luz, do que elas realmente estão fazendo ou considerando fazer. Então, em um processo de rupturas, por exemplo, se nós somos do tipo agressivo e violento que atua para enxotar as pessoas dos espaços e fazer os mais ardilosos arranjos de modo nos garantirmos em estruturas de micro-poder, é assim que lemos as outras pessoas e começamos a desenvolver pensamentos e medidas conspiratórias em lugares que somente nós encontramos os males imaginados. E e...

Reforma?

Daqui 11 dias celebraremos 505 anos da reforma protestante.  Naquele 31 de outubro de 1517 dava-se início ao movimento reformista, que dentre seus legados está a separação de Estado e Igreja. É legado da reforma também o ensino sobre o sacerdócio de todos os santos, na busca por resgatar alguns princípios basilares da fé cristã, que se tinham perdido na promíscua relação do poder religioso com o poder político. E, co mo basicamente todo movimento humano de ruptura, a reforma tem muitas motivações e violência de natureza variada. No fim, sim, a reforma tem sido muito positiva social, política, economicamente e nos conferiu uma necessária liberdade de culto.  Mas, nós cristãos protestantes/evangélicos, teremos o que celebrar dia 31?  Restará em nossas memórias algum registro dos legados da reforma? Quando a igreja coloca de lado seu papel de comunidade de fé, que acolhe e cura pessoas e passa a disputar o poder temporal, misturar-se à autoridade institucional da política, e...