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Sobre ensino e pesquisa e sucateamento de instituições

Há uma infinidade de instituições públicas caindo pelas tabelas, especialmente as de ensino e pesquisa.

Sim, creio que temos, todos, que lamentar e protestar contra o abandono, o baixo investimento e, bem, a relação seria bem grande, de todas as mazelas que alcançam essa área. E isso é péssimo para o país. A gente nem tem noção do quanto.

Uma observação é fundamental, creio, e, no mínimo honesta: o caos do setor não é fruto de uma ação recente, e não estou defendendo os ratos no poder atual, afinal, esses mesmos ratos estão há mais de uma década fazendo parte do mesmo mórbido sistema que se mostra deteriorado e quase sem perspectiva agora. Apenas revezaram na posição de comando ou assumiram o comando formalmente.

Problemas sistêmicos são também fruto de ciclos e não de ação isolada.

Faz bem pensar. Se o pensamento procurar investigar origens fica mais decente.

Isso vale para muitas coisas e poderia nos provocar a pensar e repensar vários dos nossos procedimentos como cidadãos, trabalhadores (no Estado ou não); nossa atuação frente às demandas da sociedade, desenvolvimento local e para onde a visão de desenvolvimento do nosso país apontou nos últimos anos e segue ainda agora; nossa perspectiva de vida coletiva e a nossa responsabilidade com a informação, a comunicação, o conhecimento e a ação.

Já chegamos ao caos, de verdade, aquele momento em que nos rebatemos em todo o esterco que produzimos, mas ainda conseguimos, de vez em quando, colocar o nariz para fora e, respirar? Ou vamos esperar o último tombo, quando já não teremos energia para reagir e apenas imergiremos no resultado do abandono à cidadania sob o qual, conscientemente ou não, nós mesmos nos colocamos?

Acredito que fazer-se, tornar-se, assumir-se cidadão exige responsabilidade com o que se diz e faz. É um exercício árduo, uma estrada longa e pedregosa, há espantalhos e bandidos no caminho. Mas é preciso ter raça e decidir-se a prosseguir. Passos firmes e determinados. Ou apenas repetiremos mantras incompreensíveis. Sem sentido, portanto.

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