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Salvação, o que é afinal?

O que é, afinal, a salvação?

A gente lê e pratica tanta asneira em nome da fé e de Deus.

Por que essa mania de querer justificar a tal obra de Deus na vida do homem?

Qual a dificuldade de compreender que a tal revolução espiritual de que tanto falamos e acerca da qual nos dizemos portadores, antes é construída dentro, num doloroso processo de autoconhecimento para significação de iguais e unicidade?

Por que insistimos tanto em desprezar que não tirar o ladrão da Cruz, não derrubar o Império Romano numa luta armada sangrenta, não significa que não devamos ter inserção social e política para nos lançarmos a uma alienada existência, como se nada aqui nos dissesse respeito? Afinal, nossa casa é o além.

Desde quando o estrangeiro não tem responsabilidades com a terra que o acolhe?

A revolução do evangelho é, ao mesmo tempo silenciosa e estrondosamente impactante. O problema é que nunca a deixamos florescer.

Há algo mais revolucionário, silencioso e impactante, que amar sem olhar a quem?

Há algo mais revolucionário, silencioso e impactante, que dar a outra face?

Há algo mais revolucionário, silencioso e impactante, que o perdão?

Há algo mais revolucionário, silencioso e impactante, que alimentar quem tem fome, saciar o sedento, acolher a viúva, o órgão, o estrangeiro e o necessitado?

Há algo mais revolucionário, silencioso e impactante, que a vida comunitária - onde tudo é de todos, tal modo que não se veja necessitados?

Há algo mais revolucionário, silencioso e impactante, que o empoderamento da mulher numa sociedade patriarcal e absolutamente machista?

Há algo mais revolucionário, silencioso e impactante, que reconhecer à criança o lugar de pessoa?

Há algo mais revolucionário, silencioso e impactante, que a valorização da criação?

Há algo mais revolucionário, silencioso e impactante, que valorizar o conteúdo sem adoecer-se em razão da forma?

Eu poderia ainda listar inúmeros gestos, palavras e atitudes do REVOLUCIONÁRIO JESUS CRISTO, O HOMEM DE NAZARÉ, que sacudiu a religião e deixou em pânico o Estado, em seus tentáculos políticos e econômicos, através do paradoxal, silencioso e impactante - de barulho tão ensurdecedor que pode tirar o equilíbrio - O AMOR, que nos salva de nós, das nossas certezas, das nossas amarras e regras, dos apetrechos da nossa alma decandente e nos dá a oportunidade de protagonizarmos, numa vida comunitária, o Reino do Amor, aqui e agora, alimentando no espírito o desejo por ele ali e além.

É assim que somos salvos e a nossa salvação é assim aperfeiçoada, no exercício do Amor.

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