Pular para o conteúdo principal

As pessoas valem (?)

Se as pessoas não nos valerem ocupar nosso tempo, com seus dilemas e potenciais, problemas e soluções, implicações de razão e os trôpegos passos de quem tem pressa e por isso falha ou de quem é cuidadoso e falha nisso também, nenhum valor terá o discurso do realizar ao preço de ver sucumbir trajetórias, de não enxergar as gentes que do lado da gente sacrificam-se.

Porque o que vale são as pessoas.

Nenhuma conquista vale, se antes não vierem as pessoas.

Dar-se não vale nada, por nenhuma instituição, por melhores sejam no papel os seus valores, se não suarmos e não perdermos o sono e não nos aplicarmos pelas pessoas e às pessoas, seus dilemas, inclusive.

Hoje eu estou bem certa disso e este foi um aprendizado à base de 13 anos de entrega total e irrestrita à uma instituição. Não farei mais isso. De tudo o que já abandonei de mim nas estradas da existência, das poucas promessas que me fiz, me aplicarei a honrar esta: a instituição só vale se as pessoas valerem, porque as instituições virtuosas que corrigem as pessoas quando falham em suas virtudes, são antes construídas por pessoas virtuosas. É e deve ser, um ciclo de virtudes que se retroalimentam e se corrigem, aperfeiçoam.

A primeira virtude de uma instituição, representada obviamente nas pessoas que a fazem, é não coisificar pessoas, é considera-las do ponto de partida, na estrada seguida até a chegada proposta.

O que vale no final são as pessoas e elas não se teletransportam do início ao término da caminhada. Fantasmas não são. Elas dão passos, avançam, recuam, param, são um lidar de razões e emoções, até que finde a estrada.

Ou as pessoas valem ou não há valor na caminhada.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os olhos são as janelas do corpo (ou da alma)

Diz a sabedoria: "Os olhos são as janelas do corpo. Se vocês abrirem bem os olhos, com admiração e fé, seu corpo se encherá de luz. Se viverem com olhos cheios de cobiça e desconfiança, seu corpo será um celeiro cheio de grãos mofados. Se fecharem as cortinas dessas janelas, sua vida será uma escuridão." Eu adaptaria para os olhos são as janelas da alma. Por mais óbvio seja, parece que recorrentemente é necessário dizer o quanto nós julgamos as pessoas por aquilo que somos capazes de fazer. E quase sempre isso dista, anos luz, do que elas realmente estão fazendo ou considerando fazer. Então, em um processo de rupturas, por exemplo, se nós somos do tipo agressivo e violento que atua para enxotar as pessoas dos espaços e fazer os mais ardilosos arranjos de modo nos garantirmos em estruturas de micro-poder, é assim que lemos as outras pessoas e começamos a desenvolver pensamentos e medidas conspiratórias em lugares que somente nós encontramos os males imaginados. E e...

Uma nova cultura política como legado

As movimentações recentes no calendário político-policial nacional revelam um quadro que nos sinaliza o tamanho da responsabilidade da REDE e de todas as forças políticas decentes desse país. Essa responsabilidade, penso, é muito maior e mais significativa na medida em que os caminhos menos dolorosos são as nossas primeiras opções quando estamos sob pressão. E TODOS - do brasileiro mais simples ao maior agente político desse país, tendo ou não reserva moral - estamos sob intensa pressão. E assim, claro, é menos doloroso encarar "as soluções" habituais, que podem se travestir na polarização e que nos forçam, na ânsia por resposta rápida, à junção com outras forças políticas quaisquer, apenas para falar algo, ainda que não se tenha nada efetivamente a dizer, quando o que cabe é refletir. Pode ser este o caminho? É sempre uma opção. Apenas, muito privadamente vejo nessa opção, uma busca por achar um novo salvador da pátria que nos livre da nossa desgraça maior de não sabe...

Narrativas. Vida. Caos. Desesperança.

  Quando eu era pastora repetia com muita frequência, aos membros da igreja, sobre a necessidade de submeterem o que ouviam de mim ao crivo do Evangelho, aprendi isso com o bispo Douglas e com o Paulo, o apóstolo rabugento (e por vezes preconceituoso), mas também zeloso com a missão cristã assumida. Outra coisa que eu repetia era que as pessoas só conseguiriam se desenvolver se exercitassem a capacidade de pensar. Nunca acreditei num Deus que aprecia obediência cega, seres incapazes de fazer perguntas. E cada vez mais falo a Deus que se ele não conseguir se relacionar com as minhas dúvidas, meus questionamentos, as tensões do meus dilemas e mesmo cada um dos incontáveis momentos em que duvido até dele, então ele não é Deus. Será apenas um pequeno fantasma das minhas invencionices mentais, portanto, irreal. E por que isso aqui da gaveta das minhas convicções e incertezas? Assim? A nossa História é basicamente um amontoado de narrativas. Ora elas nos embalam na noite escura e fria. O...