Pular para o conteúdo principal

Uma foto. Um mundo de significados.

Essa foto é muito, muito significativa para mim.

Essa viela é na Santa Luzia, uma invasão na Estrutural, habitada por pessoas que carregam o mais cruel peso do Brasil: OS MALES DA DESIGUALDADE.

Estão largadas há anos, no meio do lixo; morando sobre o esgoto; em barracos de madeira caindo aos pedaços; muitos passando fome; crianças tendo violados, os seus mais básicos direitos.

Elas não existem para o Estado, não existem para as nossas organizações religiosas e não existem para a nossa tão resoluta sociedade.

Elas são o melhor retrato do Brasil, um país com tanto nas mãos de tão poucos e outros tantos à míngua. Apesar disso, resiste ali uma esperança no olhar das crianças que chega a assombrar.

Sim, amig@s, é assombroso que a esperança resista em meio a tantas violações de direitos, abusos e a um estado latente de invisibilidade.

E só gostaria que esse assombro nos invadisse, pondo a correr a nossa inquietação por coisas e desprezo por gente; pondo a correr a nossa capacidade de nos conformarmos com estes e tantos outros males distribuídos no nosso país; pondo a correr a nossa disposição usual por olhar apenas o que nos diz respeito, sem nos importarmos com o quanto isso afetará o outro, nosso próximo que deveria ser.

E só gostaria que esse assombro nos demovesse do lugar comum da incredulidade e cumplicidade ao modo vigente de vida egoísta, para nos fazer levantar com o compromisso de construirmos uma nova maneira de encarar as coisas, as pessoas e o nosso mundo; cientes de que nós somos os responsáveis pelo processo de transformação da nossa sociedade.

E só gostaria que esse assombro nos levasse a perceber que aquele garoto, ali, naquela foto, naquela lama, naquela rua ... é um de nós.
E galerinha da Estrutural ... vocês não tem noção do quanto me orgulho de ser uma de vocês.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Democracia e representatividade: por que a anistia aos partidos políticos é um retrocesso

Tramita a passos largos na Câmara dos Deputados, e só não foi provado hoje (2/maio) porque teve pedido de vistas, a PEC que prevê anistia aos partidos políticos por propaganda abusiva e irregularidades na distribuição do fundo eleitoral para mulheres e negros. E na ânsia pelo perdão do não cumprimento da lei, abraçam-se direita e esquerda, conservadores e progressistas. No Brasil, ainda que mulheres sejam mais que 52% da população, a sub-representação feminina na política institucional é a regra. São apenas 77 deputadas entre os 513 parlamentares (cerca de 15%). E no Senado, as mulheres ocupam apenas 13 das 81 cadeiras, correspondendo a 16% de representação. Levantamentos realizados pela Gênero e Número dão conta que apenas 12,6% das cadeiras nos executivos estaduais são ocupadas por mulheres. E nas assembleias legislativas e distrital esse percentual é de 16,4%. Quando avançamos para o recorte de raça, embora tenhamos percentual de eleitos um pouco mais elevado no nível federal, a ime...

Os olhos são as janelas do corpo (ou da alma)

Diz a sabedoria: "Os olhos são as janelas do corpo. Se vocês abrirem bem os olhos, com admiração e fé, seu corpo se encherá de luz. Se viverem com olhos cheios de cobiça e desconfiança, seu corpo será um celeiro cheio de grãos mofados. Se fecharem as cortinas dessas janelas, sua vida será uma escuridão." Eu adaptaria para os olhos são as janelas da alma. Por mais óbvio seja, parece que recorrentemente é necessário dizer o quanto nós julgamos as pessoas por aquilo que somos capazes de fazer. E quase sempre isso dista, anos luz, do que elas realmente estão fazendo ou considerando fazer. Então, em um processo de rupturas, por exemplo, se nós somos do tipo agressivo e violento que atua para enxotar as pessoas dos espaços e fazer os mais ardilosos arranjos de modo nos garantirmos em estruturas de micro-poder, é assim que lemos as outras pessoas e começamos a desenvolver pensamentos e medidas conspiratórias em lugares que somente nós encontramos os males imaginados. E e...

Reforma?

Daqui 11 dias celebraremos 505 anos da reforma protestante.  Naquele 31 de outubro de 1517 dava-se início ao movimento reformista, que dentre seus legados está a separação de Estado e Igreja. É legado da reforma também o ensino sobre o sacerdócio de todos os santos, na busca por resgatar alguns princípios basilares da fé cristã, que se tinham perdido na promíscua relação do poder religioso com o poder político. E, co mo basicamente todo movimento humano de ruptura, a reforma tem muitas motivações e violência de natureza variada. No fim, sim, a reforma tem sido muito positiva social, política, economicamente e nos conferiu uma necessária liberdade de culto.  Mas, nós cristãos protestantes/evangélicos, teremos o que celebrar dia 31?  Restará em nossas memórias algum registro dos legados da reforma? Quando a igreja coloca de lado seu papel de comunidade de fé, que acolhe e cura pessoas e passa a disputar o poder temporal, misturar-se à autoridade institucional da política, e...