Pular para o conteúdo principal

Rupturas

Nascemos a partir de uma.
Um corpo em dores, suor, sangue e lágrimas.

Uma alma ansiosa, sob as trevas do medo e das pesadas correntes da apreensão.

Um espírito agitado, privado das garantias da razão e do calor acolhedor da emoção.

Elas nos sangram e nos estupefam, e como quando um corpo se abre e um novo ser - se mostra, em processo natural de dores e convicção de necessidades, acontecem e se não for assim, o novo ser se perde.

Doloridas. Nada coloridas. Muito necessárias. Ou o ciclo natural e igualmente necessário de evolução e aperfeiçoamento da nossa trajetória, arrefece sob os grilhões de um espírito prisioneiro de esperança frustrada, inacabada no tempo, vítima do medo e descontentamento.

Rupturas nos sangram a alma, mas nos oferecem a possibilidade do refazimento.
Rupturas são os rascunhos para nos reconstruirmos, por isso não devemos temê-las.

Comentários

  1. As rupturas nunca são fáceis mesmo, machucam.. mas são sim muitas vezes necessárias...
    Amei o texto, amei a reflexão!
    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, Lauri!
      Sim, elas fazem parte do processo e a dor de ter que por elas passar não pode nos fazer querer evitá-las. Abs

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Democracia e representatividade: por que a anistia aos partidos políticos é um retrocesso

Tramita a passos largos na Câmara dos Deputados, e só não foi provado hoje (2/maio) porque teve pedido de vistas, a PEC que prevê anistia aos partidos políticos por propaganda abusiva e irregularidades na distribuição do fundo eleitoral para mulheres e negros. E na ânsia pelo perdão do não cumprimento da lei, abraçam-se direita e esquerda, conservadores e progressistas. No Brasil, ainda que mulheres sejam mais que 52% da população, a sub-representação feminina na política institucional é a regra. São apenas 77 deputadas entre os 513 parlamentares (cerca de 15%). E no Senado, as mulheres ocupam apenas 13 das 81 cadeiras, correspondendo a 16% de representação. Levantamentos realizados pela Gênero e Número dão conta que apenas 12,6% das cadeiras nos executivos estaduais são ocupadas por mulheres. E nas assembleias legislativas e distrital esse percentual é de 16,4%. Quando avançamos para o recorte de raça, embora tenhamos percentual de eleitos um pouco mais elevado no nível federal, a ime...

Os olhos são as janelas do corpo (ou da alma)

Diz a sabedoria: "Os olhos são as janelas do corpo. Se vocês abrirem bem os olhos, com admiração e fé, seu corpo se encherá de luz. Se viverem com olhos cheios de cobiça e desconfiança, seu corpo será um celeiro cheio de grãos mofados. Se fecharem as cortinas dessas janelas, sua vida será uma escuridão." Eu adaptaria para os olhos são as janelas da alma. Por mais óbvio seja, parece que recorrentemente é necessário dizer o quanto nós julgamos as pessoas por aquilo que somos capazes de fazer. E quase sempre isso dista, anos luz, do que elas realmente estão fazendo ou considerando fazer. Então, em um processo de rupturas, por exemplo, se nós somos do tipo agressivo e violento que atua para enxotar as pessoas dos espaços e fazer os mais ardilosos arranjos de modo nos garantirmos em estruturas de micro-poder, é assim que lemos as outras pessoas e começamos a desenvolver pensamentos e medidas conspiratórias em lugares que somente nós encontramos os males imaginados. E e...

Reforma?

Daqui 11 dias celebraremos 505 anos da reforma protestante.  Naquele 31 de outubro de 1517 dava-se início ao movimento reformista, que dentre seus legados está a separação de Estado e Igreja. É legado da reforma também o ensino sobre o sacerdócio de todos os santos, na busca por resgatar alguns princípios basilares da fé cristã, que se tinham perdido na promíscua relação do poder religioso com o poder político. E, co mo basicamente todo movimento humano de ruptura, a reforma tem muitas motivações e violência de natureza variada. No fim, sim, a reforma tem sido muito positiva social, política, economicamente e nos conferiu uma necessária liberdade de culto.  Mas, nós cristãos protestantes/evangélicos, teremos o que celebrar dia 31?  Restará em nossas memórias algum registro dos legados da reforma? Quando a igreja coloca de lado seu papel de comunidade de fé, que acolhe e cura pessoas e passa a disputar o poder temporal, misturar-se à autoridade institucional da política, e...