Pular para o conteúdo principal

Para além das Asas, o Quadrinho!


Que olhar temos posto sobre o Distrito Federal?


O quadradinho que se expande para além das Asas, Lagos e Zona Central Administrativa geme e padece invisível, ao que se delibera no privilégio capital de ser Brasília - como se possível fosse, invisível tornar seus milhares e milhares de habitantes, órfãos de políticas públicas condizentes às suas incertezas e necessidades reais. E também, obviamente, contribuições positivas no centro do Planalto Central.

Ora, de onde surgiu esse pensamento?

A verdade, é que se o DF não for visto e percebido com um ente só, composto porém, de inúmeras especifidades em cada uma das suas regiões, de nada adiantarão os olhares e cuidados meticulosos sobre a expressão central do nosso quadradinho. No fim, Brasília ruirá (como nem tão lentamente já ocorre), frente as mazelas que dizimam os sonhos e as forças dos moradores das Regiões Administrativas que não são alcançados pela lentes fotográficas de quem, no exercício de poder, tem a caneta na mão na Capital Federal, e de cidadãos que podem influenciar decisões na cidade, mas são incapazes de perceber a sua composição para além dos belos desenhos arquitetônicos da Esplanda e suas adjacências.

Um importante exercício aos que pleiteiam pensar a cidade, é talvez, deixar de lado - por um instante somente, os livros, lápis, adereços tecnológicos, rodas de conversas sobre miséria e poder, para visitar os rincões do Distrito Federal, colocar o pé na lama da realidade efetiva que sufoca quase 2 milhões pessoas (no contexto geral) e dentre estas, alguns punhados de milhares e milhares, diariamente, via um sistema desumanizante de transporte, quase completa ausência de mínima infra-estrutura (em alguns lugares é zero) no que tange a rede de esgoto, por exemplo, lazer, e outras necessidades à vida digna na cidade. Apenas para citar alguns poucos exemplos, dentre dezenas de precariedades de serviços públicos. E então, somando o conhecimento técnico, científico ao contato real com as dores que fazem agonizar o povo, talvez surjam novas forças e ânimo para a construção do DF que queremos e juntos sim, podemos construir, unindo todas as forças e frentes da sociedade, com o povo e não apenas para ele.

Que possamos, passada a euforia pelas justas homenagens e anseios por preservação da linda Brasília, pensá-la de maneira prática, cientes de que o que nos esforçamos para tornar invisível fora dos Eixos da Capital, é bem real e latente nos seus efeitos sobre cada um dos mais de 2 milhões de moradores desse complexo e fascinante ente federativo, o Distrito Federal.

Santa Luzia, Estrutural - DF

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os olhos são as janelas do corpo (ou da alma)

Diz a sabedoria: "Os olhos são as janelas do corpo. Se vocês abrirem bem os olhos, com admiração e fé, seu corpo se encherá de luz. Se viverem com olhos cheios de cobiça e desconfiança, seu corpo será um celeiro cheio de grãos mofados. Se fecharem as cortinas dessas janelas, sua vida será uma escuridão." Eu adaptaria para os olhos são as janelas da alma. Por mais óbvio seja, parece que recorrentemente é necessário dizer o quanto nós julgamos as pessoas por aquilo que somos capazes de fazer. E quase sempre isso dista, anos luz, do que elas realmente estão fazendo ou considerando fazer. Então, em um processo de rupturas, por exemplo, se nós somos do tipo agressivo e violento que atua para enxotar as pessoas dos espaços e fazer os mais ardilosos arranjos de modo nos garantirmos em estruturas de micro-poder, é assim que lemos as outras pessoas e começamos a desenvolver pensamentos e medidas conspiratórias em lugares que somente nós encontramos os males imaginados. E e...

Narrativas. Vida. Caos. Desesperança.

  Quando eu era pastora repetia com muita frequência, aos membros da igreja, sobre a necessidade de submeterem o que ouviam de mim ao crivo do Evangelho, aprendi isso com o bispo Douglas e com o Paulo, o apóstolo rabugento (e por vezes preconceituoso), mas também zeloso com a missão cristã assumida. Outra coisa que eu repetia era que as pessoas só conseguiriam se desenvolver se exercitassem a capacidade de pensar. Nunca acreditei num Deus que aprecia obediência cega, seres incapazes de fazer perguntas. E cada vez mais falo a Deus que se ele não conseguir se relacionar com as minhas dúvidas, meus questionamentos, as tensões do meus dilemas e mesmo cada um dos incontáveis momentos em que duvido até dele, então ele não é Deus. Será apenas um pequeno fantasma das minhas invencionices mentais, portanto, irreal. E por que isso aqui da gaveta das minhas convicções e incertezas? Assim? A nossa História é basicamente um amontoado de narrativas. Ora elas nos embalam na noite escura e fria. O...

Umuntu ngumuntu nagabantu

Uma daquelas preciosidades que a gente recebe pela internet em razão das boas conexões que a vida nos permite fazer. Conexões que geram crescimento e melhoramento por exemplos, através dos ensinos, da amizade, dos puxões de orelha escancarados ou disfarçados. E aí, como recebi, compartilho: "Talvez este texto toque alguém, provoque alguém, faça algum pensamento eclodir. Achei que valia a pena compartilhar." ( Jane) ---- Um antropólogo estava estudando uma tribo na África, chamada Ubuntu. Quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo, então, propôs uma brincadeira para as crianças, que achou ser inofensiva. Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e colocou tudo debaixo de uma árvore. Aí ele chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!", elas deveriam sair correndo até o cesto, e a que chegasse...