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Quando os Sonhos se Vão

Uma longa mensagem, que talvez possa ser interessante para você.

Bem,

eu não sou mãe e nunca estive grávida. No entanto, creio que a gestação seja, talvez, uma das melhores analogias para o processo de desenvolvimento de um sonho na vida de qualquer humano.

Um sonho, tal como uma gestação, não se dá no silêncio da solidão. Pois, necessariamente, para que um sonho comece a se projetar, efetivamente, deverá ser coletivo, ou no mínimo, compartilhado com mais um indivíduo. Do contrário, não é um sonho, senão um lampejo de egoísmo.
Pois bem, um sonho, tal como uma gestação, exige cuidados e ações preparatórias especiais para o grande dia do nascimento e crescimento do novo indivíduo ou desenvolvimento saudável e sustentável, do sonho. Então, você se cerca de cuidados e ações tendo por força motriz o novo ser dentro de você, ou o sonho. Mas ai, uma tragédia, uma desgraça, uma infelicidade num dado momento, talvez, prestes ao dia do nascimento, e você vive um aborto, do sonho.

Que imensa dor!

Como disse, não sou mãe e nunca passei por uma de gestação, e fico pensando no quão terrível deve ser a experiência de passar por todo esse processo de desejo, preparo, cuidados , expectativas e no final, uma perda.

Terrível é não ter a concretização do sonho, tal também o é, não carregar nos braços o desejado filho. Entretanto, fato é que, apesar da perda, é necessário prosseguir. É necessário aprender a desapegar-se, pois se assim não for, acabaremos por perder a oportunidade do recomeço.
As vezes o sonho abortado, involuntariamente ou não, é um trabalho, um empreendimento, uma missão espiritual, um amor. E dói. Dói sonhar e não realizar. Dói porque não foi uma brincadeira de adolescente, mas um concreto, claro e objetivo sonho de vida, no qual investimos, muitas vezes, dinheiro, tempo, quase sempre as nossas melhores energias, a nossa vida. E dói ver um sonho não se tornando realidade e escapando por entre os nossos dedos. Mas, é preciso desapegar-se, desprender-se e superar a dor da não realização para unir-se à esperança de um novo sonho. Se assim não for, corremos o risco de nos tornarmos prisioneiros de nós mesmos e levarmos os nossos dias ao calabouço da frustração , à agonia e desgraça do não existir e apenas passar pela vida. 
Por esta razão, o conselho que devemos dar a nós mesmos todos os dias é: chore o que tiver que chore (de uma vez por todas); seque as lágrimas; abra a mente para um novo processo de reconstrução pessoal; desapegue-se do que não foi e prossiga em busca de um novo sonho, numa nova e viva esperança: a vida que se renova na nossa fé.

Recomeçar é para os fortes!

Até breve,

Ádila Lopes

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